sábado, 12 de março de 2011

Clandestinidade Etnica

NA página Portugueses Ciganos e Seus Amigos, um dos membros, um professor com um currículo considerável e autor de varias publicações, José Gabriel Pereira Bastos, criou um conceito que julgo ser de máxima importância, não só pelo conceito em si, mas pela realidade que codifica e que acarreta alguns pontos interessantes. O Conceito é "Clandestinidade Étnica", e prende-se com a necessidade de um individuo pertencente a uma etnia minoritária, neste caso cigana, ter de ocultar a sua identidade por forma a se "integrar" na sociedade. Por outras palavras, é o esconder-se o que se é em nome do ser-se "aceite" e ,como tal, tratado como igual.

Tal "estratégia" de auto-repressão indentidária surgiu como forma de se poder ter o que de direito todos temos: respeito pelo próximo. Para poder trabalhar sem preconceitos, muitos individuos tiveram de "esquecer-se" de mencionar que eram ciganos e , uma vez descobertos, foram imediatamente despedidos do seu emprego! Amigos deixaram de sê-lo, esquecendo tudo o que já haviam experienciado e vivido...

O que dizer destes casos?

Que realmente é uma VERGONHA o estado a que isto chegou. O preconceito e a discriminação estão tão enraizados e desenvolvidos no seio da sociedade que não há maneira mais flagrante de provar que NINGUÉM contrata/emprega ciganos! E o que é feito dos direitos e dos defensores dos direitos dos cidadãos ciganos? Nem são levados em consideração!

Mas esta situação é de facto alarmante. Em tempos idos, como forma de repressão indentidária do povo cigano, D. João V mandou censurar o Kalon, idioma típico dos ciganos Ibéricos (o que teve como consequencia a perda dessa língua nos meandros do tempo, e de que hoje se passa cada vez menos às gerações seguintes) e proibir casamentos entre ciganos, separou familias e atirou os ciganos para as galés e para a colonização.

Mas se isso foi terrível na altura, tendo tido consequencia funestas que se repercurtiram ao longo do tempo, com o inicio de uma campanha anti-cigana, esta outra repressão mais "moderna", a da Clandestinidade Étnica traz preocupações adicionais. A auto-repressão indentidária acaba por auxiliar a discriminação, na medida em que esta é auto-infligida e, ao invés de encontrarmos e formarem-se os "paladinos" ciganos, para mostrar que os ciganos não são como lhes pintam na maioria das vezes; suprimem-se estas oportunidades. Dá-se força aos discriminadores e desaparecem com o "registro" de outros ciganos, o que provaria que cigano não é todo igual, e que, tendo as mesmas oportunidades é capaz de ser um cidadão integrante da sociedade.

1 comentário:

Centro de Estudos Ciganos disse...

Boas Gitelles, o meu sincero agradecimento pelo que vieste acrescentar de bom a este movimento, és um jovem muito inteligente e muito talentoso.
Já disse várias vezes que apesar do activismo cigano ser muito pobre, cresceu um pouco em qualidade e tu nestes últimos meses que te juntaste a nós tens sido uma mais valia, compreendo que tenhas os teus sonhos e não possas dar mais á causa mas os meus parabéns por tudo o que tens feito, dito... Ass: Bruno Gonçalves